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Cia Cisne Negro apresenta espetáculo de dança com audiodescrição no CCSP

A Iguale assina a produção do recurso acessível. Os ingressos já estão à venda e somente na bilheteria

São Paulo, dia 22 de maio de 2015 – Domingo, dia 24, às 20h, na Sala Jardel Filho, do Centro Cultural São Paulo – CCSP, a Cia Cisne Negro de Dança realiza sessão com audiodescrição da Iguale Comunicação de Acessibilidade para as coreografias “Sra. Margareth – Excertos de ‘Monger’ e Trama”. Por intermédio do recurso de acessibilidade, pessoas com deficiência visual poderão conferir, com toda riqueza de detalhes que a audiodescrição possibilita, o trabalho desta conceituada cia de dança que em 2015 comemora 38 anos.

Em uma sala com capacidade para 321 pessoas, estarão disponíveis 30 fones de ouvido, fundamentais para que o público com deficiência visual acompanhe o espetáculo. “Utilizando o fone de ouvido, a pessoa com deficiência visual pode ouvir as descrições das cenas, dos figurinos, das expressões e dos movimentos coreográficos dos bailarinos, entre outras situações, que serão narradas pelos audiodescritores da Iguale”, explica Maurício Santana, diretor da empresa.

Descrição da foto:  Imagem da coreografia "Trama", na qual um bailarino apoia-se no chão com apenas um braço, deixando o corpo suspenso no ar. O tronco está voltado para cima e as penas abertas e esticadas horizontalmente. O homem tem a pele morena e corpo atlético. Usa roupa de crochê branca, composta de uma touca, camiseta cavada e saia. O fundo e o palco são vermelho escuro.

Descrição da foto:
Imagem da coreografia “Trama”, na qual um bailarino apoia-se no chão com apenas um braço, deixando o corpo suspenso no ar. O tronco está voltado para cima e as penas abertas e esticadas horizontalmente. O homem tem a pele morena e corpo atlético. Usa roupa de crochê branca, composta de uma touca, camiseta cavada e saia. O fundo e o palco são vermelho escuro.

Os ingressos já estão à venda na bilheteria do CCSP. Segundo Santana, quem ficou interessado e deseja assistir ao espetáculo de dança da Cia Cisne Negro, com o recurso de audiodescrição, deve se apressar para garantir a entrada, já que restam poucos lugares. “Realizar um trabalho como este para nomes como CCSP e Cisne Negro nos motiva e nos mostra que há muito o que fazer em acessibilidade. Queremos cada vez mais produzir audiodescrição, LIBRAS e legendas para espetáculos de dança, teatro e outras formas de manifestações artísticas porque sabemos que o público com deficiência é ávido pelos mesmos”, salienta o diretor da Iguale.

Sobre as coreografias

“Sra. Margareth – Excertos de ‘Monger’” (2013): duração: 33:12 – coreografia: Barak Marshall – assistente de coreografia e remontagem: OsnatKelner – música: diversos autores.
Adaptação de Barak Marshall para a Cia., Monger é um trabalho de dança-teatro para dez bailarinos e conta a história de um grupo de funcionários preso no porão da casa de uma patroa abusiva. Nesta obra, o movimento de Marshall é físico, afiado, rápido, com argumentos étnicos contemporâneos, altamente emotivos, visuais e teatrais. Na trilha musical, Barak combina elementos da música cigana e do Sudeste europeu, passando pela música clássica e pelo rock. Monger explora as dinâmicas de poder, hierarquia, livre arbítrio e os compromissos que são necessários para sobreviver. A estrutura da peça de narrativa é traçada a partir de várias fontes, incluindo a vida e a obra de Bruno Shultz e Jean Genet (As criadas).

“Trama” (2001): duração: 23:45 – coreografia: Rui Moreira – música: Lenine, Marco Suzano, Mestre Ambrósio e temas da coletânea Música do Brasil – cenário: HilalSamiHilal – figurinos: Eduardo Ferreira. Nas palavras do coreógrafo o significado de Trama: “Neste Brasil mestiço, misterioso e mágico, todos os retratos são tendenciosos, parciais ou comprometidos, observando os brincantes e suas brincadeiras, as festas populares, os folguedos, seus personagens místicos, criam danças que revelam um pouco desta complexa Trama de simplicidade, que mostra o transcendente e o contagiante caminho da alegria neste País”. (Rui Moreira)

Agenda:
“Sra. Margareth – Excertos de ‘Monger’” e “Trama”
Apresentação: Cisne Negro Cia. de Dança
Local: Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
Data e horário: 24 de maio, 20h*
Valor do ingresso: R$ 10
*Sessão com audiodescrição para pessoa com deficiência visual

Sesc Santana exibe filme ‘Central do Brasil’ com audiodescrição e open caption

São Paulo, 2 de dezembro de 2013 – O Sesc Santana, em São Paulo, exibe nesta terça-feira, dia 3 de dezembro, às 20h, o filme Central do Brasil, com os recursos inclusivos de audiodescrição (AD) e legendas open caption produzidos pela Iguale Comunicação de Acessibilidade.

A audiodescrição permitirá que pessoas com deficiência visual ou baixa visão compreendam com riqueza de detalhes, informações do filme exclusivamente visuais, traduzidas e narradas ao vivo, para o verbal. Já as legendas open caption, apresentarão as indicações do áudio original do filme (diálogos, ruídos, trilhas, etc), para que a pessoa com deficiência auditiva tenha um melhor entendimento de tudo o que se passa na obra.

Esta sessão com os recursos inclusivos faz parte das atividades do Sesc Santana, dentro da 4ª edição da Virada Inclusiva, promovida pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, entre os dias 30 de novembro, 1 e 3 de dezembro, em todo o estado de São Paulo. Para saber mais acesse: viradainclusiva.sedpcd.sp.gov.br.

Sinopse: Dora escreve cartas na Central do Brasil. Josué, um garoto de nove anos, perde a mãe, atropelada. Do encontro dos dois, nasce uma viagem ao interior do Nordeste, em busca do pai que Josué não conheceu.

Elenco: Fernanda Montenegro e Vinicius de Oliveira

Direção: Walter Salles

Agenda:

Filme com audiodescrição e open caption

Local: Sesc Santana – São Paulo

Data: 3 de dezembro de 2013

Horário: 20h

Audiodescrição e legendas open caption: Iguale Comunicação de Acessibilidade

Sábado tem reapresentação do filme ‘Os Contos da Noite’ com audiodescrição e legendas Open Caption no CineSesc

São Paulo, 16 de outubro de 2013 – O CineSesc, em São Paulo, promove novamente neste sábado, dia 19, ainda em comemoração ao Dia das Crianças, nova sessão de cinema especial e gratuita para o público infantil. Com audiodescrição e legendas open caption feitos pela Iguale Comunicação de Acessibilidade, o filme “Os Contos da Noite”, em 3D, será novamente exibido para animar o sábado da garotada. A sessão terá início às 13h. Para a retirada do ingresso é preciso chegar ao local com 1 hora de antecedência.

Agenda:

Cinema Acessível – Especial Dia das Crianças

Data: 19 de outubro de 2013, às 13h

Filme: Os Contos da Noite (3D)

Realização: CineSesc

Endereço: Rua Augusta, 2077, São Paulo.

Recursos acessíveis: Iguale Comunicação de Acessibilidade

Sinopse:

Os Contos da Noite (3D)

Todas as noites, uma menina, um menino, e um velho técnico se reúnem em um pequeno cinema. Embora o lugar pareça abandonado, ele é cheio de magia. Os três amigos pesquisam, inventam, desenham e se vestem como diversos personagens e, a cada noite, encenam uma história, uma fantasia. Há bruxas e fadas, reis poderosos, lobisomens, belas e cruéis mulheres, catedrais e cabanas de palha, cidades de ouro e florestas escuras. Eles se sentem vivendo uma noite mágica em que tudo é possível.

Para mais informações acesse aqui!

DVDs e Blu-rays com audiodescrição aproximam crianças com deficiência visual do mundo lúdico dos filmes infantis

Quando produzidos com este recurso inclusivo, permitem que o conteúdo audiovisual seja de fato compreendido pela criança com deficiência visual

São Paulo, 11 de outubro de 2013 – Como é conhecimento, crianças com deficiência visual aprendem a ler com a ajuda do Braile; sistema de leitura com tato para cegos. Mas e no caso dos filmes? Como conseguem compreender com o máximo de detalhes o que se passa em uma história cinematográfica? Essa questão já foi resolvida com a ajuda da audiodescrição (AD), recurso que traduz do visual para o verbal os cenários, as ações, os figurinos, dentre outros elementos que não fazem parte dos diálogos das personagens. O que falta, no entanto, é a sua inserção ainda no processo de confecção dos DVDs e Blu-rays, para que cheguem às lojas já contendo este benefício à disposição da pessoa com deficiência visual.

Para Bianca Chaló, mãe de uma menininha de apenas quatro anos com deficiência visual, encontrar DVDs e Blu-rays com audiodescrição à venda, seja pela Internet, seja em lojas físicas, é algo muito difícil. Moradora de Bauru, Bianca diz que desde que passou a procurar por filmes infantis com audiodescrição encontrou bem poucos. Atualmente possui apenas quatro, sendo três deles da Turma da Mônica. “Antes de conviver com a deficiência visual eu desconhecida a existência deste recurso inclusivo tão importante para a pessoa com deficiência ter acesso ao conteúdo audiovisual de modo mais completo. No entanto, desde que eu soube da existência da audiodescrição, passei a buscar filmes que contenham o recurso e dificilmente encontro, pois são poucos os que saem com ele das distribuidoras”, relata.

Nicole

Segundo Bianca, a quase inexistente inserção do recurso de audiodescrição nos filmes infantis torna o acesso ao conteúdo, tanto por parte da sua filha, quanto do público infantil, de um modo geral, preocupante. “A Nicole adora assistir filmes com o irmão que não tem a deficiência, mas muitas vezes se recusa porque não consegue entender o contexto da obra devido a falta do recurso na maioria deles. Quando o DVD não tem a audiodescrição eu fico do lado, tentando descrever o que se passa, mas isso nem sempre é possível porque tenho que cuidar das tarefas da casa, e quando isso ocorre ela fica triste, se recusa”, conta a mãe.

 Linguagem & palavras

Além da escassez de filmes com AD, Bianca já notou alguns cuidados que devem conter os filmes com o recurso. Um, que considera muito importante, é a contextualização da história antes do início da exibição; uma introdução, para ajudar a criança entender do que trata o enredo do filme. Outro ponto é o cuidado com a linguagem e a escolha das palavras, principalmente para crianças até cinco anos. Segundo Paulo Romeu, responsável pelo Blog da Audiodescrição e militante pela acessibilidade da pessoa com deficiência visual, há diferenças no desenvolvimento da audiodescrição infantil e adulto, começando pela entonação da narração e a elaboração de um roteiro apropriado. “A narração tem de ser mais interpretada, com entonação apropriada ao público infantil. A linguagem precisa ser adequada à faixa etária e o ritmo deve fluir de acordo com o contexto do filme”, explica Paulo Romeu.

Atualmente no mercado nacional existem poucos filmes produzidos para o público infantil já com audiodescrição. Um exemplo dele é o Smurfs, lançado em agosto de 2011, pela Sony Pictures, com roteiro de audiodescrição da Iguale Comunicação de Acessibilidade. Outros também lançados com este recurso, no Brasil, foram: A Turma da Mônica, Muppts, Tá Chovendo Hambúrguer, Hotel Transilvânia, Castelo Ra-tim-bum e Matilda. No entanto, o número de filmes comercializados nos formados DVDs e Blu-rays para a criançada é muito pequeno diante da grande produção de obras cinematográficas lançadas todos os anos, em todo o mundo.

Ainda segundo Paulo Romeu, 90% dos filmes distribuídos no Brasil vêm dos EUA e cerca de 30% deles vêm com audiodescrição, mas não em português, o que os tornam também pouco acessíveis. “O ideal é que venham com a audiodescrição já em Língua Portuguesa”, ressalta. Bianca pretende engrossar a luta das pessoas com deficiência por seus direitos e um dos temas que faz questão de colocar na pauta é o da audiodescrição nos filmes infantis. “Eu acredito que os novos filmes já deveriam sair de fábrica com a audiodescrição. Ao deixarem de incluí-los, acabam excluindo as demais pessoas com deficiência visual de ter acesso ao conteúdo de suas obras, o que é injusto”, opina a mãe da pequena Nicole.

Mais informações:

Liliana Liberato

Assessora de Imprensa

(11) 9 7999-2802

imprensa@iguale.com.br

Chega de shhh! A acessibilidade vai muito além de rampas

Existem recursos que podem garantir o direito ao acesso a informação, cultura e lazer com autonomia, mas a oferta ainda é pequena

por Xandra Stefanel publicado 19/07/2013 12:01
JR. PANELA/RBA
O que os olhos não veem

Celso Nóbrega: “É chato não ter os próprios meios de saber e perceber o que está acontecendo. Durante o filme, tenho de perguntar para a outra pessoa”

Na maioria das vezes que Celso Nóbrega vai ao ci­nema, em Fortaleza, é re­preendido pelos outros espectadores. Cego desde que nasceu, há 28 anos, ele não consegue entender um filme inteiro sem que alguém lhe explique as cenas que não têm como ser compreendidas apenas pelos diálogos entre os atores.

“Eu vou ao cinema porque gosto muito e tenho pessoas da família, namorada e amigos que me ajudam a entender informações que só os olhos podem captar. É chato não ter os próprios meios de saber e perceber o que está acontecendo. Durante o filme, tenho de perguntar para a outra pessoa o que está acontecendo, e isso atrapalha. Quem está ao lado não compreende e fica fazendo ‘shhhhh’, manda calar a boca”, desabafa o jornalista, publicitário e mestrando em Linguística Aplicada na Universidade Estadual do Ceará.

Segundo o último Censo do IBGE, dos mais de 45,5 milhões de pessoas que declararam ter pelo menos uma deficiência, 35,8 milhões não enxergam ou têm dificuldade para enxergar. E outros 9,7 milhões têm algum grau de deficiência auditiva. Como essas pessoas fazem para ter acesso a filmes, peças teatrais, exposições e outros eventos culturais?

Há pouco mais de uma década, começaram a surgir no Brasil recursos tecnológicos como audiodescrição e legendagem de som para possibilitar maior autonomia às pessoas com deficiência visual e auditiva. Mas tais recursos ainda estão longe de alcançar a popularidade.
A audiodescrição é uma espécie de tradução das cenas em palavras, uma narração detalhada que a pessoa com deficiência visual recebe por meio de um fone de ouvido: cenário, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, leitura de créditos e expressões faciais e corporais dos atores são explicados entre os diálogos.

Já a legendagem de som descreve, na tela, os sons para as pessoas com deficiência auditiva. Sem esses recursos, um cego não compreende, por exemplo, uma cena sem falas nem ruídos, e um surdo não tem condições de assimilar informações sonoras que não aparecem nas legendas convencionais.

Sensibilização

A bancária e tradutora aposentada Sônia Maria Ramires de Almeida, de 65 anos, descobriu aos 22 que sofre de otosclerose, doença genética que provoca a perda progressiva da audição. A partir de então, passou a usar aparelhos que têm como função ampliar os sons. Por esse motivo, ir ao cinema e ao teatro, por exemplo, é praticamente impossível.

“Em teatro e cinema o problema surge a partir da péssima acústica de muitas salas. Existe um eco, uma reverberação que as pessoas que ouvem normalmente conseguem ‘apagar’. No caso de quem usa aparelhos auditivos, o aparelho capta todo o som ambiente, ruídos de gente caminhando, se movendo nas poltronas, abrindo embalagem de chocolate, cochichando etc. Por isso, fica difícil entender as falas e a história,” lamenta Sônia, reforçando que existe uma enorme diversidade na surdez, assim como soluções específicas para a acessibilidade de cada grupo.

“Por que eu vou pagar o ingresso inteiro no cinema para assistir a meio filme? Minha compreensão de um filme sem audiodescrição é 50% menor. Se o filme for em inglês e eu não souber falar inglês, também não consigo ler legenda… Então, para que eu vou ao cinema ou ao teatro? Por isso participar dessas coisas nunca fez parte do dia a dia das pessoas cegas. Agora começa a existir possibilidade”, afirma Paulo Romeu, de 55 anos, militante pela acessibilidade das pessoas com deficiência.

Ele deixou de frequentar cinemas e teatros aos 22, quando perdeu completamente a visão em um acidente automobilístico. Depois se formou na área de Tecnologia da Informação e participou de grupos de trabalho para a implementação de recursos acessíveis na televisão e nos caixas eletrônicos. Percebeu possibilidades de pessoas­ como ele alcançarem maior autonomia não só nos espaços culturais, mas também em casa, ao ver televisão.

Em 2006, Paulo participou da elaboração da Portaria 310, que define normas de acessibilidade para pessoas com deficiência na programação das televisões. A portaria do Ministério das Comunicações previa legendagem de som e interpretação na linguagem de sinais (Libras) para surdos e audiodescrição para cegos. No início, a audiodescrição deveria ser oferecida duas horas por dia nas emissoras de televisão, chegando, em dez anos, a 100% da programação. Mas acabou se limitando a, inicialmente, duas horas por semana, chegando a 20 em dez anos. Como parte dessa progressão, no último 1º de julho passou a ser obrigatório, para as emissoras de TV abertas brasileiras, oferecer quatro horas semanais de programação audiodescrita.

Apesar de a acessibilidade para cegos e surdos ainda não ser regra na TV, mesmo que timidamente já chegou a outros espaços culturais. “Para as emissoras, para as quais existia a obrigação legal, houve uma resistência enorme. Já para cinema, teatro, seminários, palestras, em que não existe nenhuma lei que obrigue a audiodescrição até o momento, já temos pessoas fazendo espontaneamente”, compara Paulo Romeu. “Há uma sensibilização. O produtor de teatro que resolveu fazer uma exibição com audiodescrição vê aquela quantidade de pessoas sentadas na plateia usando o fone de ouvido, rindo e chorando junto com os outros durante a peça.”

Adaptação

Segundo o Censo 2010, dos 5.565 municípios brasileiros apenas 829 têm alguma legislação no que se refere à adaptação de espaços culturais, artísticos e desportivos para facilitar o ingresso, locomoção e acomodação de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. E isso não significa que essas cidades possuem legislação voltada para aqueles que têm deficiência visual ou auditiva. Na maioria das vezes, quando se menciona a acessibilidade nesse tipo de espaço, pensa-se prioritariamente em rampas.

Mesmo assim, museus como o do Futebol e a Pinacoteca do Estado, em São Paulo, e o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, além de galerias ou exposições pontuais, já fazem parte do roteiro cultural de muitas pessoas com deficiência visual ou auditiva. O Teatro Carlos Gomes, por exemplo, ofereceu 24 apresentações acessíveis de março de 2012 a abril deste ano, com cerca de 50 pessoas com deficiência por sessão, segundo a assessoria de imprensa.

É para esse tipo de atividade que o grupo Terra São Paulo promove passeios. O programa é definido de acordo com a oferta de eventos, mas, em geral, são saídas de quatro horas para visitar exposições, ver peças teatrais e filmes. Cada pessoa com deficiência é acompanhada por um voluntário que dispõe de todos os sentidos. “A ideia é que haja uma grande troca. Do mesmo modo que um voluntário tem coisas a apresentar para uma pessoa com deficiência, este também tem muito a contar para o voluntário”, diz Ricardo Panelli, criador do grupo.

“Para você ser um cidadão completo, não basta só trabalhar e ir embora para casa. Pessoas com deficiência têm acesso muito restrito para participar efetivamente da sociedade. Nosso objetivo é de contribuir e facilitar o acesso a esses eventos.”

Um dos passeios que o grupo organizou foi ao Festival Melhores Filmes, promovido em abril pelo CineSesc. Tradicional em São Paulo desde 1974, o evento passou a ter audiodescrição e open caption, a legendagem, em 2010. Na edição de 2013, todos os 40 filmes exibidos em mais de 100 sessões contaram com audiodescritores fazendo as narrações ao vivo.

O diretor da empresa que promoveu os serviços ao festival, Mauricio Santana, afirma que o profissional da audiodescrição deve ter amplo entendimento sobre a deficiência visual. “O audiodescritor vem da área de comunicação, letras, tradução e afins. Ele tem de ter percepção e sensibilidade diferenciadas, conhecer a linguagem do cinema, ter facilidade de improvisação, repertório e vocabulário amplos. Principalmente quando está roteirizando, se colocar no lugar da pessoa com deficiência para narrar o que é fundamental para o entendimento.”

Segundo Santana, o custo médio da audiodescrição para um filme de 120 minutos, por exemplo, é de R$ 3 mil a R$ 4 mil, o que engloba o processo de roteirização, revisão, consultoria de uma pessoa com deficiência, produção de estúdio, o trabalho do audiodescritor-ator e a finalização.

Usuário do recurso, Paulo Romeu questiona por que não haver mais oferta desses serviços de acessibilidade: “O que significa o custo da audiodescrição no orçamento de um filme? E em comparação com o que uma rede de TV paga de direitos autorais para os filmes que ela apresenta?” Quem não vê ou ouve acha que há um enorme valor. “Significa autonomia. A primeira vez que vi um filme com audiodescrição, coloquei o DVD e não precisei pedir a ninguém que acessasse o menu por mim.

Depois de tantos anos, me senti gente”, diz. Christine Villa, responsável pela programação do CineSesc, afirma que não há previsão para tornar toda a programação do cinema acessível. “Nossa intenção é democratizar as sessões e o nosso espaço e tornarmos o festival totalmente acessível. O Sesc percebeu que existe uma demanda de público que necessita desses recursos. A edição de 2013 apresentou um aumento significativo desses espectadores. Ainda é complicado expandirmos o serviço para toda a programação. Mas entendemos o Festival Melhores Filmes como um primeiro passo.”

Fora do eixo Rio-São Paulo, no entanto, a oferta de eventos culturais com recursos acessíveis é bem menor. É o caso de Fortaleza, segundo Vera Lúcia Santiago, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e em Linguística da Universidade Estadual do Ceará. Vera observa que a maioria dos produtores culturais não se preocupa em tornar seus produtos acessíveis, embora o Brasil disponha de profissionais altamente qualificados, que acabam encontrando dificuldade em conseguir trabalho e migrando para outras profissões.

“Já formei muitos alunos comprometidos com a audiodescrição, com a pesquisa e a acessibilidade. Fiz várias ações aqui no teatro, no cinema, no DVD, em exposições, espetáculos de dança. Os produtores se sensibilizaram, mas agora não querem pagar pelo serviço”, critica. “Uma maneira de resolver isso seria o governo colocar como contrapartida dos financiamentos de projetos culturais que os agraciados em editais tornassem seus produtos acessíveis”, sugere a professora.

Na opinião de Eduardo Cardoso, do Núcleo Interdisciplinar para Cultura Acessível da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), falta uma efetiva implementação das políticas públicas de inclusão existentes, já que o Brasil tem uma enorme legislação a respeito da acessibilidade. “Especificamente no caso das políticas de cultura acessível, a gente tem algumas iniciativas, mas há muito a ser feito ainda, principalmente no que se refere à maneira que serão postas em prática. É através de políticas que a gente começa a planejar o que é possível, viável e esperado.”

Fonte: Revista do Brasil – Número 85, Julho 2013

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/85/chega-de-shhhhh-6717.html

TV aberta: programação audiodescrita passa para 4h semanais a partir de hoje

O aumento do número de horas é um avanço, mas ainda é pouco diante da quantidade de conteúdo apresentado diariamente pelas emissoras

 Vale a partir desta segunda-feira, dia 1º de julho, o disposto na Portaria n.o 188, do Ministério das Comunicações, que obrigada as emissoras de TV aberta ampliar de 2h para 4h semanais a programação audiodescrita. A audiodescrição é um recurso acessível que compreende a narração, em língua portuguesa, integrada ao som original da obra audiovisual, contendo descrições de sons e elementos visuais e quaisquer informações adicionais que sejam relevantes para possibilitar a melhor compreensão desta, por pessoas com deficiência visual e intelectual.

“A ampliação do horário é importante e representa um avanço na luta dos direitos da pessoa com deficiência. Nós que trabalhamos nesta área e acompanhamos a legislação sabemos que ainda há muito o que avançar, mas são essas conquistas que fazem o país oferecer condições cada vez mais iguais aos seus cidadãos. Na Inglaterra, por exemplo, algumas emissoras já oferecem 50% da programação com audiodescrição, sendo que a lei exige 10%. O nosso desejo é que essa seja uma realidade também no Brasil, futuramente”, argumenta Mauricio Santana, diretor da Iguale Comunicação de Acessibilidade.

O aumento do número de horas vem a atender um dos anseios da pessoa com deficiência, no que se refere a ter mais acesso e melhor entendimento do conteúdo produzido pelas emissoras de TV; como novelas, programas humorísticos, jornalísticos, esportivos, infantis, de variedades, seriados, dentre outros. Além dos filmes publicitários (comerciais) exibidos durante os intervalos das programações. No entanto, mesmo com a ampliação, a carga horária ainda é pequena, devido à grande quantidade de material que as emissoras de TV, em todo o país, disponibilizam aos espectadores, diariamente.

 

Selkirk, longa de animação do cineasta uruguaio Tournier, terá audiodescrição e LIBRAS em mostra itinerante

Os públicos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília poderão conferir em julho o trabalho do animador Walter Tournier; filme ainda não exibido em salas comerciais terá recursos inclusivos

Promover a acessibilidade cultural. Este é o objetivo da Caixa Cultural e da Split Filmes ao incluírem a audiodescrição (AD) e a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS no longa-metragem de animação “Selkirk, o verdadeiro Robinson Crusoé”, do cineasta uruguaio Walter Tournier. O filme será exibido na mostra itinerante “Tournier em Movimento: a expressão da animação uruguaia”, que desembarca pela primeira vez ao Brasil.

De 3 a 21 de julho, a mostra passará por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, oferecendo ao público exibições de filmes, oficinas e bate-papo. E mais, Tournier estará presente não só como tema, mas também como participante ativo. Especificamente no caso do longa-metragem, Vanessa Remonti, coordenadora da mostra, explica que a Iguale Comunicação de Acessibilidade foi chamada para desenvolver a audiodescrição e LIBRAS para que o público com deficiência visual e auditiva tenha melhor entendimento do belo trabalho do cineasta.

“Selkirk, o verdadeiro Robinson Crusoé” é o primeiro longa-metragem em stop motion produzido no Uruguai, eleito 2º Melhor Longa Adulto pelo Júri Popular do Anima Mundi 2012. O filme narra a história do pirata Alexsander Selkirk, abandonado em uma ilha deserta em 1700, inspiração de Daniel Dafoe para escrever Robinson Crusoé. O longa, uma coprodução entre Uruguai, Chile e Argentina, foi criado com técnica mista: stop motion para os bonecos e o cenário; 3D para o fundo do mar, o céu e parte da ilha.

Além da LIBRAS e da audiodescrição, as sessões serão dubladas e legendadas em português, conforme indicado na programação. Catálogos em português e em braile, com textos, sinopses, fichas técnicas e imagens, também foram confeccionados. Encerrando a programação, em cada cidade, Tournier realizará um bate-papo animado, trocando ideias com os presentes sobre suas obras e técnicas de animação.

O evento será gratuito, com a exceção do Rio de Janeiro, onde será cobrado o valor simbólico de R$ 2 por sessão. Exposição, palestras e oficinas, bem como materiais utilizados, também terão caráter gratuito. As exibições serão realizadas nas dependências da Caixa Cultural das três cidades. Além das sessões dos filmes, estarão em exposição materiais originais das obras em cartaz, como bonecos, maquetes e desenhos conceituais.

Sinopse

Selkirk, o Verdadeiro Robison Crusoé – Selkirk, um pirata rebelde e egoísta, é tripulante do Esperanza, galeão inglês que viaja pelos mares em busca de tesouros. Na falta de navios inimigos, os corsários se divertem apostando em jogos de azar. Em pouco tempo, Selkirk depena a tripulação, ganhando a inimizade de todos, principalmente a do Capitão Bullock, que decide sepultar seus desejos de vingança e sua ambição desmedida e encarar uma nova maneira de enxergar o mundo.

Ficha técnica

Ano de produção: 2012
Duração: 80 min
Direção: Walter Tournier
Coprodução: Tournier Animation La Suma (Uruguai)
Maíz Producciones (Argentina) / Cineanimadores (Chile)
Audiodescrição e LIBRAS: Iguale Comunicação de Acessibilidade

Agenda

São Paulo de 3 a 7 de julho de 2013
CAIXA Cultural
Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo/SP
Terça-feira a domingo, das 9 às 20h.

Rio de Janeiro de 10 a 14 de julho de 2013
CAIXA Cultural
Avenida Almirante Barroso, 25.
Terça-feira a domingo, das 9 às 20h.

Brasília de 17 a 21 de julho
CAIXA Cultural
SBS- Quadra 4 – Bloco A Lote 3/4 Asa Sul – Brasília – DF
Terça-feira a domingo, das 9 às 21h.
Site da mostra: www.tournieremmovimento.com.br

2º Encontro Nacional de Audiodescrição em Juiz de Fora

 

 

Maurício Santana e Leo Rossi estão desde quinta-feira, 13 de Dezembro, representando a Iguale no 2º Encontro Nacional de Audiodescrição que acontece até o próximo dia 15,  na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O evento é promovido pela Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (Caefi) e conta com palestras e oficinas. No mesmo período também será realizado o 3º Encontro de Acessibilidade.

Os temas discutidos no evento serão: A Implementação da Audiodescrição nos Diversos Segmentos, Profissionalização do Audiodescritor e o Mercado de Trabalho, além de oficinas sobre a audiodescrição no cinema, no teatro e na TV.

Hoje,  dia 14 de Dezembro às 14h Leo Rossi ministrará a Oficina AUDIODESCRIÇÃO NA TV em conjunto com Klístenes Bastos Braga (Fortaleza).

Ainda hoje das 15h30 às 17h Maurício Santana coordenará a mesa: COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DO AUDIODESCRITOR. E no sábado das 09h00 – 10h30 fará uma palestra na MESA REDONDA: IMPLEMENTAÇÃO DA AUDIODESCRIÇÃO NOS DIVERSOS SEGMENTOS – FOCO NO PRODUTOR DE AUDIODESCRIÇÃO.

 

Confira a programação completa no link: http://www.gime.ufjf.br/gime/programacao-do-2o-encontro-nacional-de-audiodescricao-e-divulgada